sobre a Revista Roda

A revista realmente dá conta de forma original de um espaço tradicional que já foi preenchido, ocupado de forma concentrada (revistas focadas num ou no máximo três assuntos artísticos ou ensaísticos) ou misturada (revistas atacando todos os flancos da existência cultural e política urbana) em várias publicações ao longo dos últimos quarenta, cinquenta anos.

O espaço da reportagem cultural, das humanidades por assim dizer (artes cênicas, literatura, música, artes plásticas), e dos ensaios que enveredam por filosofias, antropologias, arqueologias, sociologias, economias, políticas, pensamento em geral etc. 

 

O espaço da discussão, da provocação , do choque de opiniões e densidades. Superficialidades contundentes.  

 

Esse o espaço

 

Da Realidade a Bravo, passando pelas publicações underground dos anos setenta ou especializadas como Select, por exemplo (ou mesmo a Piauí), tentam manter acesa a chama desse tipo de abordagem humanista, ou seja, renascentista no seu âmago, falar de todos os assuntos possíveis com uma voracidade de emergência, de necessidade, num mundo cada vez mais fragmentado em nichos de pobreza mental, vastidões de ignorância e analfabetismo funcional devidamente mimados por excitações digitais, dispersões informacionais. Esse o copo vazio.

 

Num mundo que mantém todos alertas para o que acontece no âmbito social, no âmbito orgânico, no âmbito do espetáculo audiovisual no qual a vida se transformou, cutucando nossas vontades de curtir, compartilhar, navegar, deletar, pesquisar, produzir, querendo sempre mais pela excitação digital, urbana, pela pornografia da transparência total de todos os acontecimentos da vida na Terra jogados na cara da gente toda hora. 

 

Esse o espaço que tem que ser preenchido, oferecido. O do Brasil acéfalo de montão.

 

A Roda reinventando tudo.

 

Falar de todos os assuntos com uma voracidade de uma Renascença encurralada, Humanismo encurralado pela Tecnocracia que manda no mundo atualmente, pelo pensamento da eficiência cidadã. O choque entre as Antiguidades, os Humanismos e a Tecnoavalanche de engenharias sociais, neurológicas, genéticas, trobóticas, computacionais, geológicas, meteorológicas, etc., é que gera a beleza contemporânea.

 

A beleza do risco total que caracteriza as supermetrópoles e a Roda Viva, como o nome diz, precisa ocupar mais ainda o espaço  das discussões provocadoras.

 

Na Internet ou nas bancas.

 

Tradição de reflexão em meio ao ruído geral.

 

Pensar os ruídos. 

 

Tem que ter Roda Viva enquanto dá, enquanto rola. 

Fausto Fawcett.